Lusofonias – Quaresma segundo Leão XIV e Dom Pedro Fernades
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O Papa Leão apostou em duas palavras-chave: Escutar e jejuar. Apresentou a Quaresma como um tempo de conversão, altura favorável a ‘que a nossa fé ganhe novo impulso e o coração não se perca entre as inquietações e as distrações do quotidiano’.
Escutar, antes de mais e acima de tudo, a Palavra de Deus, para conseguirmos melhor escutar a realidade: ‘as Sagradas Escrituras tornam-nos capazes de reconhecer aquela que surge do
sofrimento e da injustiça, para que não fique sem resposta. Entrar nesta disposição interior de recetividade significa deixar-se instruir hoje por Deus para escutar como Ele, até reconhecer que ‘a condição dos pobres representa um grito que, na história da humanidade, interpela constantemente a nossa vida, as nossas sociedades, os sistemas políticos e económicos e, sobretudo, a Igreja’’.Depois, jejuar, ‘com fé e humildade’, porque ‘o jejum constitui uma prática concreta que nos predispõe a acolher a Palavra de Deus’(…) útil para discernir e ordenar os ‘apetites’, para manter vigilante a fome e a sede de justiça, subtraindo-a à resignação e instruindo-a a fim de se tornar oração e responsabilidade para com o próximo’.
Ao falar de abstinência, o Papa Leão vai mais longe e mais fundo: ‘gostaria de vos convidar a uma forma de abstinência muito concreta e frequentemente pouco apreciada, ou seja, a abstinência de palavras que atingem e ferem o nosso próximo. Comecemos por desarmar a linguagem, renunciando às palavras mordazes, ao juízo temerário, ao falar mal de quem está ausente e não se pode defender, às calúnias. Em vez disso, esforcemo-nos por aprender a medir as palavras e a cultivar a gentileza: na família, entre amigos, nos locais de trabalho, nas redes sociais, nos debates políticos, nos meios de comunicação social, nas comunidades cristãs. Assim, muitas palavras de ódio darão lugar a palavras de esperança e paz’.
Leão XIV aposta numa palavra: ‘Juntos’, porque ‘a Quaresma realça a dimensão comunitária da escuta da Palavra e da prática do jejum’. Daí que o Papa peça ‘a força dum jejum que também passe pela língua, para que diminuam as palavras ofensivas e aumente o espaço dado à voz do outro. E comprometamo-nos a fazer das nossas comunidades lugares onde o clamor de quem sofre seja acolhido e a escuta abra caminhos de libertação, tornando-nos mais disponíveis e diligentes no contributo para construir a civilização do amor’.
D. Pedro Fernandes, Espiritano, novo Bispo de Portalegre-Castelo Branco, segue na mesma direção. Reforça esta ideia proposta pelo Papa e avança: ‘pelo jejum, mais Gratidão: o jejum deveria fazer-nos crescer na gratidão, colocando um “menos” nos ruídos interiores que não nos deixam escutar com maior nitidez o sussurro de Deus que nos repete: “Amo-te! Vales! Quero que sejas!”’; pela partilha, a Mansidão: convido a revisitar os lugares das nossas vidas onde ainda é possível crescer para uma maior mansidão, colocando um “menos” no olhar que julga e condena, na palavra usada para ferir e não para curar.
Menos agressão, mais esmola de mansidão, gentileza e hospitalidade, na linha do que também nos pede o Papa na sua mensagem; pela oração, a Confiança: talvez possamos pedir ao Senhor, para esta Quaresma, um “mais” em confiança, exercitando um “menos” em posturas rígidas e defensivas, que nos dificultam a escuta a que apela o Papa. Porque não, neste tempo que nos é dado, valorizarmos mais os tempos pessoais de silêncio e solidão fecunda, com a leitura da Palavra de Deus, priorizando os Evangelhos e os escritos de Paulo? Enfim, comunicar bem: todos com todos, rezemos para que este tempo de Quaresma seja uma grande oportunidade ganha, para valorizarmos a comunicação assertiva, equilibrando os “menos” e os “mais” que deverão concorrer para uma cada vez maior conversão!’.
Que a Quaresma seja mesmo este tempo forte de conversão, de oração e de partilha solidária.
Fonte: https://www.vaticannews.va
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