O Papa em Óstia: desarmar a linguagem, investir energia e recursos na educação

 O Papa durante a missa na Paróquia de Nossa Senhora Rainha da Paz, em Óstia Lido

O Papa Leão XIV visitou, na tarde deste domingo (15/02), a Paróquia de Nossa Senhora Rainha da Paz, em Óstia Lido, cidade litorânea próxima a Roma.

O Pontífice celebrou a missa e em sua homilia manifestou imensa alegria de estar ali com essa comunidade, vivendo "o gesto que dá nome ao domingo. É o 'dia do Senhor' porque Jesus Ressuscitado vem ao nosso encontro, nos escuta, nos fala, nos alimenta e nos envia".

No Evangelho deste domingo, "Jesus anuncia a sua 'nova lei': não apenas um ensinamento, mas a força para colocá-lo em prática. É a graça do Espírito Santo que escreve de forma indelével em nosso coração e leva ao cumprimento os mandamentos da Antiga Aliança".

O Papa recordou que a Primeira Leitura extraída do Livro do Eclesiástico, nos convida "a ver nos mandamentos do Senhor não uma lei opressiva, mas sua pedagogia para a humanidade em busca de plenitude de vida e liberdade".

Jesus "indica como caminho para a plenitude humana, uma fidelidade a Deus fundada no respeito e no cuidado com o outro em sua sacralidade inviolável, a ser cultivada, no coração, antes mesmo de gestos e palavras".

“É ali, de fato, que nascem os sentimentos mais nobres, mas também as profanações mais dolorosas: o fechamento, a inveja, o ciúme. Por isso, quem pensa mal de seu irmão, nutrindo sentimentos ruins em relação a ele, é como se, no seu íntimo, já o estivesse matando.”

A seguir, o Papa recordou as palavras da Primeira Carta de São João: "Todo aquele que odeia o seu irmão é assassino". "Como essas palavras são verdadeiras! Quando também nos encontrarmos julgando e desprezando os outros, lembremo-nos de que o mal que vemos no mundo tem suas raízes precisamente ali, onde o coração se torna frio, duro e desprovido de misericórdia", disse Leão XIV, acrescentando:

“Isso também é vivido aqui, em Óstia, onde, infelizmente, a violência existe e fere, ganhando força, às vezes, entre jovens e adolescentes, talvez alimentada pelo abuso de substâncias; ou por organizações criminosas que exploram as pessoas, envolvendo-as em seus crimes e perseguindo interesses iníquos com métodos ilegais e imorais.”

Diante desses fenômenos, o Papa convidou todos, "como comunidade paroquial, junto com as demais realidades virtuosas que trabalham nesses bairros, a continuarem se dedicando com generosidade e coragem para semear a boa semente do Evangelho em suas ruas e casas". "Não se conformem com uma cultura de abuso e injustiça", sublinhou.

“Pelo contrário, difundam o respeito e a harmonia, começando por desarmar a linguagem e investindo energia e recursos na educação, especialmente das crianças e dos jovens. Sim, que na paróquia eles possam aprender a honestidade, o acolhimento e o amor que ultrapassa fronteiras; aprender a ajudar não só aqueles que retribuem e a cumprimentar não só aqueles que cumprimentam, mas a ir ao encontro de todos de forma gratuita e livre; aprender a coerência entre fé e vida.”

"Que este seja o objetivo de seus esforços e atividades, para o bem de quem está perto e quem está longe, para que até mesmo quem é escravo do mal possa encontrar, por meio de vocês, o Deus do amor, o único que liberta o coração e torna verdadeiramente feliz", disse ainda o Papa.

Leão XIV recordou que cento e dez anos atrás, o Papa Bento XV quis esta paróquia intitulada a Nossa Senhora Rainha da Paz. Ele o fez no auge da Primeira Guerra Mundial, "pensando nesta comunidade como um raio de luz no céu plúmbeo da guerra".

“Com o passar do tempo, infelizmente, muitas nuvens ainda obscurecem o mundo, com a difusão de lógicas contrárias ao Evangelho, que exaltam a supremacia do mais forte, encorajam a prepotência e alimentam a sedução da vitória a todo custo, surdas ao grito de quem sofre e de quem é indefeso.”

Leão XIV convidou a opor-se a essa tendência "com a força desarmante da mansidão, continuando a pedir a paz, a acolher e a cultivar esse dom com tenacidade e humildade". O Papa recordou Santo Agostinho que dizia que «não é difícil possuir a paz [...]. Se [...] a quisermos, ela está ali, ao nosso alcance, e podemos possuí-la sem nenhum esforço».

"Isso porque a nossa paz é Cristo, que se conquista deixando-se conquistar e transformar-se por Ele, abrindo-lhe o coração e, com a sua graça, abrindo-o àqueles que Ele mesmo coloca no nosso caminho".

O Papa concluiu, convidando os fiéis a fazerem isso todos os dias, "juntos, como comunidade, com a ajuda de Maria, Rainha da Paz. Que ela, Mãe de Deus e nossa Mãe, sempre nos guarde e nos proteja".

 

 

Fonte: https://www.vaticannews.va

 

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